A Psoríase é uma doença inflamatória da pele, crónica, benigna, relacionada com a transmissão genética e de etiologia desconhecida. Sabemos que atinge ambos os sexos e pode-se manifestar em qualquer idade, no entanto a fase de manifestação acentuada, geralmente, é entre os 20 e os 40 anos, em pessoas de raça branca.
Historicamente, a psoríase (do grego psoriasis = erupção sarnenta) já era conhecida desde os tempos mais remotos, existindo a sua descrição e tratamento no Papiro de Ebers, em 1550 a.C..
Curiosidade:
"O Papiro Ebers é um dos tratados médicos mais antigos e importantes que se conhece. Foi escrito no Antigo Egito e é datado de aproximadamente 1550 a.C.
Atualmente o papiro está em exibição na biblioteca da Universidade de Leipzig e foi baptizado em homenagem ao monge alemão Georg Ebers, que os adquiriu em 1873.
O papiro contém mais de 700 fórmulas mágicas e remédios populares além de uma descrição precisa do sistema circulatório." Wikipédia
Hipócrates utilizou as palavras psora (em grego, prurido) e lepra para descrever lesões de aspecto semelhante ao que hoje se denomina psoríase.
Robert Willan (1757-1812), médico inglês, foi o primeiro a descrever clinicamente a psoríase. Ele distinguiu a psoríase da lepra e subdividiu em dois tipos, atribuindo nomenclaturas confusas: lepra graecorum e psora leprosa.
Foi em 1841 que Ferdinand Hebra, um dermatologista vienense, descreveu o quadro clínico da psoríase tal como nós conhecemos hoje.
Atualmente, e segundo as estatísticas, esta doença afeta cerca de 3% da população mundial e 5% da população europeia. É menos frequente nas regiões tropicais e subtropicais, rara em negróides da África Ocidental e em afro-americanos, e praticamente inexistente em indígenas da América do Norte e do Sul.
Á luz da Medicina ocidental (alopática), a causa da psoríase continua desconhecida. Porém, sabe-se que 30% dos portadores de psoríase apresentam antecedentes familiares, e que alguns dos antigénios humanos de histocompatibilidade leucocitária estão relacionados.
Existem factores que podem desencadear ou exacerbar a psoríase, tais como: traumas, infecções, drogas (lítio, beta-bloqueadores, anti-maláricos...), fatores emocionais (em 70% dos casos), outros (tabagismo, abuso de álcool, obesidade, distúrbios endócrinos, dieta irregular e variações climáticas - inverno).
São várias as apresentações clínicas da psoríase, podendo as manifestações diferenciarem o tipo em questão. A psoríase poderá ser em placas, inversa, pustulosa, em gotas, eritrodérmica, ungueal, do couro cabeludo e artropática.
A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) trata a psoríase (um desequilíbrio YANG) à mais de 2000 anos e nunca classificou a psoríase como lepra ou doença contagiosa. A MTC tem em consideração os padrões de desequilibro do doente, sendo que a estagnação de Qi (Chi) e de Xuè (Sangue) apresenta-se como o padrão principal da psoríase. Os órgãos (ZANG-FU) que primeiramente entram em desarmonia serão o Rim e o Fígado, sendo que o Baço e o Pulmão são igualmente atingidos.
Ao contrário da medicina ocidental (alopática), a MTC apresenta uma taxa elevada de tratamento nesta patologia, cerca de 40% dos casos ficam curados, e a maioria dos restantes, apresentam melhorias significativas.
A MTC recorre à acupuntura, à farmacopeia chinesa, à auriculoterapia e à nutrição e dietética chinesa (nutrição energética) para o tratamento da psoríase. Os portadores de psoríase devem de evitar a ingestão de pimentas, as gorduras, os fritos, e os doces que originam calor-humidade (terminologia técnica da MTC) e que desequilibram o Baço, o Estômago e o Fígado. Além disso devem de ter em atenção a pouca ingestão de carne de porco, ananás, lacticínios e citrinos.
Caso o fator emocional esteja presente no doente, o trabalho com o psicólogo é essencial. O impacto é consideravelmente negativo no bem-estar físico e psicossocial do doente. A estigmatização com base na aparência corrobora para a alta taxa de depressão nestes doentes, sendo que mais de 5% tentaram o suicídio.
A intervenção deverá ser o mais precoce possível. Na minha prática clínica, geralmente, realizo um trabalho multidisciplinar, juntamente com outros profissionais de saúde. A intervenção do terapeuta de MTC, do dermatologista e por vezes do psicólogo é essencial para a obtenção de excelentes resultados. A haloterapia, é uma terapia que se apresenta como uma mais-valia durante o tratamento da psoríase, e por isso deve ser tida em conta.
A psoríase tem tratamento!
A medicina não é linear. A natureza não é linear.










