segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Vitaminas - dúvidas mais frequentes

Com a publicação que fiz sobre as vitaminas (podem ler o artigo aqui) surgiram algumas questões levantadas por leitores:



As vitaminas engordam?
Nenhuma das vitaminas conhecidas engorda. Elas devem de ser ingeridas na quantidade ideal para cada organismo. Mesmo que ingeridas em excesso não vão engordar pois são um grupo de substâncias orgânicas, sem valor energético próprio. No entanto a vitamina B1 e B12 podem aumentar o apetite se tomadas em demasia.


O nosso corpo produz vitaminas?
Não. O nosso corpo não é capaz de sintetizar vitaminas. Precisamos do auxílio da alimentação equilibrada, ou a suplementos vitamínicos.

É normal a urina ficar com cheiro e cor?
Sim. Principalmente se for hidrossolúvel, como é o caso das vitaminas B, mas também no caso da vitamina C poderá tornar a urina com um cheiro mais forte e uma cor mais amarela. A ingestão de água ajuda a atenuar estes efeitos.

Posso tomar mais do que um complexo vitamínico?
Claro que sim. Não existem interferências na absorção aquando a ingestão de um ou mais  tipos de vitaminas. Se pensarmos nas hortaliças, por exemplo, tem mais do que uma vitamina e não existe nenhuma precaução na ingestão das mesmas.

Os bebés podem ingerir vitaminas?
Claro que podem. Não só podem como devem. No entanto, é preciso adequar a dosagem ao peso e altura.

Existe a melhor altura do dia para tomar vitaminas?
Podem ser ingeridas a qualquer hora, mas o ideal seria após as refeições. Os alimentos ajudam na absorção das vitaminas A, D, E e K.

Posso tomar vitaminas de estômago vazio?
Claro que pode se se tratar de vitaminas incluídas numa alimentação equilibrada. Se estiver a tomar um suplemento vitamínico não o deverá em jejum pois isso poderá originar náuseas e/ou dor gástrica.




quarta-feira, 24 de outubro de 2012

As Vitaminas


As vitaminas são um grupo de substâncias orgânicas necessárias para o nosso organismo. No entanto, o nosso organismo é incapaz de fazer a sua sintetização e isso leva-nos a recorrer a uma boa ingestão de alimentos ou complexos vitamínicos de preferência naturais.
A carência de algumas vitaminas (avitaminose) como A, C, D, E, K, B1, B2, B3, B5, B6, B8, B9, B12 poderá trazer um efeito muito negativo, apesar de não cobrirem directamente as necessidades energéticas do mesmo. As demais vitaminas conhecidas não têm grande incidência nos processos metabólicos e na saúde dos seres humanos.
Quando é diagnosticado avitaminose, quer seja do tipo simples (carência de um tipo de vitamina) ou complexa (carência de vários tipos de vitamina), é necessário identificar o porquê dessa carência. Nas causas poderá estar um insuficiente contributo alimentar, estados de necessidade extraordinária – temos o exemplo dos períodos de crescimento e gravidez -, doenças infecciosas,  alterações do aparelho digestivo, ou a ingestão de fármacos antivitamínicos como os anticoagulantes que actuam na vitamina K.


Podemos dividir as vitaminas em dois grandes grupos: as vitaminas lipossolúveis (A, D, E, K, C) e as vitaminas hidrossolúveis (B1, B2, B3, B5, B6, B8, B9, B12).

Vitaminas lipossolúveis:
Vitamina A ou Retinol:
Funções: crescimento e diferenciação das células epiteliais, funcionamento normal do olho, crescimento ósseo, mecanismos imunitários, eliminação de substâncias tóxicas.
Alimentos mais ricos: hortaliças, lacticínios, fígado.
Consequências da deficiência: cegueira crepuscular, alteração conjuntiva e da córnea. Alterações da pele.

Vitamina D:
Funções: metabolismo fosfocálcio
Alimentos mais ricos: peixe azul e gema do ovo.
Consequências da deficiência: raquitismo, osteomalacia.

Vitamina E:
Funções:  Antioxidante
Alimentos mais ricos: óleos, oleaginosas, hortaliças.
Consequências da deficiência: hemólise, debilidade e atrofias musculares, falta de coordenação.

Vitamina K:
Funções: intervém na coagulação do sangue.
Alimentos mais ricos: couves, espinafres, alface, batatas.
Consequências da deficiência: síndrome hemorrágica.

Vitamina C ou ácido ascórbico:
Funções: síntese de cologénio, antioxidante, síntese de corticosteróide, de catecolaminas, de neurotransmissores, intervém em mecanismos de defesa e aumenta a absorção intestinal do ferro não hemo (o ferro não hemo deriva dos grãos e dos vegetais).
Alimentos mais ricos: hortaliças e frutas frescas.
Consequências da deficiência: Fadiga, perda de peso, perda de apetite, atraso na cicatrização, hemorragias das gengivas, diminuição da resistência a infecções.

Vitaminas hidrossolúveis:
Vitamina B1 ou tiamina:
Funções: metabolismo dos hidratos de carbono, gorduras e proteínas. Comunicação entre neurónios.
Alimentos mais ricos: legumes, carne de porco, cereais integrais.
Consequências da deficiência: falta de apetite, debilidade, fadiga, perda de peso, depressão, irritabilidade, assim como transtornos de memória.

Vitamina B2 ou riboflavina:
Funções: metabolismo dos hidratos de carbono, gorduras e proteínas.
Alimentos mais ricos: lacticínios, fígado e peixe.
Consequências da deficiência: falta de apetite, cansaço, mal-estar geral, dor e ardor nos lébios, boca e língua, dermatite seborreica, dores musculares, formigueiros nas pernas.

Vitamina B3 ou niacina:
Funções: metabolismos dos hidratos de carbono, gorduras e proteínas, síntese dos ácidos biliares, de hormonas esteróides, de catecolaminas, da vitamina D.
Alimentos mais ricos: peixe, carne, queijo, legumes, cereais, oleaginosas.
Consequências da deficiência: falta de apetite, perda de peso, vertigens, dores de cabeça, tendência depressiva, debilidade muscular, dermatite, diarreia, demência.

Vitamina B5 ou ácido pantoténico:
Funções: metabolismo dos hidratos de carbono, gorduras, e proteínas, síntese de colesterol e dos fosfolípidos.
Alimentos mais ricos: favas, sementes de girassol, amendoins, gema de ovo, salmão, carnes, soja, cereais integrais.
Consequências da deficiência: cansaço, cefaleias, náuseas, vómitos, cãibras nas pernas.

Vitamina B6 ou piridoxina:
Funções: metabolismo dos aminoácidos.
Alimentos mais ricos: peixe, oleaginosas, legumes, carnes, cereais.
Consequências da deficiência: lesões na pele, inflamação da língua, diminuição do volume dos glóbulos vermelhos, alterações motoras e sensitivas nas extremidades, náuseas, insónia, irritabilidade, depressão.

Vitamina B8 ou biotina:
Funções: síntese de glicose e de ácidos gordos, metabolismo de determinados aminoácidos.
Alimentos mais ricos: fígado, soja, ovo, flocos de aveia, arroz integral.
Consequências da deficiência: palidez, astenia, anorexia, náuseas, vómitos, dermatite escamosa, dores musculares.

Vitamina B9 ou ácido fólico:
Funções: síntese de ácidos nucleicos (ADN e ARN), metabolismo de determinados aminoácidos, síntese do grupo hemo (um átomo de ferro ferroso "Fe++" que tem a função de conecção nas células sanguíneas).
Alimentos mais ricos: legumes, hortaliças, oleaginosas, fígado.
Consequências da deficiência: anemia megaloblástica, modificações do carácter, alterações de sono e de memória, maior vulnerabilidade às infecções, aos transtornos que afectam a pele, e na produção de leites (lactantes).

Vitamina B12 ou cobalamina:
Funções: metabolismo do ácido fólico e de determinados aminoácidos.
Alimentos mais ricos: Fígado, levedura, peixe, carnes, ovo, lacticínios.
Consequências da deficiência: anemia megaloblástica, transtornos neurológicos e psiquiátricos.

Antes de se tratar de um problema de avitamonose é necessário identificar qual a/as vitaminas afectadas e a sua etiologia.
Na maioria dos casos o que se sucede é a falta de um equilíbrio alimentar, muitas vezes causadas pela ingestão excessiva de calorias vazias (alimentos que proporcionam um elevado conteúdo energético, mas que, praticamente, não contêm vitaminas nem minerais. Por exemplo, o açúcar).
Tratamento: toma de complexos vitamínicos (com preferência nos de origem natural) receitados pelo médico/terapeuta e prescrição de uma dieta equilibrada consoante a carência apresentada.


Escrito por: Catarina Correia

Fontes:
ALLUÉ, Josep [et al.] – Enciclopédia familiar das medicinas alternativas. Estados, Sintomas e transtornos, 1ª Edição, Setúbal, Marina Editores, Lda, 2002.
Faculdade de Saúde da Universidade da Beira Interior – Teses Monográficas http://www.fcsaude.ubi.pt/thesis/upload/118/914/tesepdffinalpdf.pdf  24.10.2012 18.30